1952-1953: Pe. Bartolomeu Valentini, Fundador

Nasceu no Tirol, Áustria, em 9 de Novembro de 1912; dois anos depois, morrer-lhe-á o pai, na guerra, com apenas 26 anos.

Acabada a quarta classe, vai para o colégio salesiano de Trento, com dez anos, até que aos dezasseis comunica à mãe uma decisão irrevogável: Quero ser salesiano!. E assim foi: ingressou no Noviciado em 1928, em 1929 fez a primeira profissão religiosa. Chegou a Portugal em 1931, após o 2.º ano de Filosofia: queria ser missionário, os superiores mandaram-no a Portugal para aprender a língua. Seguiram-se três anos em Poiares da Régua, e o regresso a Itália, em 1934, para cursar Teologia. Ordenado no dia 3 de Julho de 1938, e como tinha ainda sotaque, mandaram-no regressar: Lisboa (1938/44) e Vila do Conde (1944/45) seriam as primeiras escolas onde trabalhou já como sacerdote.

Depois, com uma visão e determinação espantosas, em menos de duas décadas projectaria e construiria as casas de Mogofores (1945/46), do Estoril (1946/52), de Manique (1952/53) e do Funchal (1953/62): Nas casas por onde passei, achei sempre que tínhamos de fazer qualquer coisa: fazer!, fazer!. Se era necessário, fazia. ‘Tantas coisas boas que é preciso que os nossos pequenos tenham! Vamos começar!’ Atirei-me e pronto!. Sempre a partir do nada: Comecei sempre sem nada, paguei sempre tudo. Andava sempre muito aflito da vida: muitas vezes chorei!. Mas o certo é que as obras se fizeram: Encontrei amigos por todo o lado, pessoas de bem, generosas, dispostas a ajudar. A Providência é grande e há tanta gente boa. Mas digo sempre que 90% do que fiz devo-o ao Senhor!.

Regressou entretanto ao Estoril (1963/74), ao Funchal (1975/90), a Manique (desde 1993). Foi sendo Catequista, Professor de Matemática e de História, Conselheiro, Ecónomo, Director, mas as suas preferências nunca deixaram de ser a música, a ginástica, o teatro: Tudo o que era barulho era comigo!  E onde sempre se sentiu melhor, claro, foi no meio dos rapazes: De todas as minhas funções, a que gostei mais foi poder dar aulas aos pequenos, estar em contacto com eles, falar com eles e jogar com eles! Mesmo quando era director, tinha sempre tempo para estar com os pequenos no pátio, nunca larguei o pátio. E é esse, ainda hoje, o rumo que aponta: A vida do salesiano, para mim é estar no pátio, presente, no meio dos pequenos.

Padre Bartolomeu Valentini: um notável testemunho de vida, uma fidelidade inabalável ao “espírito das origens”.

Faleceu em Manique no dia 12 de Fevereiro de 2012, prestes a completar cem anos, na mesma Casa que, muitos anos antes, dedicadamente havia projetado e erigido.