As tão esperadas férias da Páscoa tinham acabado de começar, mas na vida de um cientista, ou neste caso um protótipo disso mesmo, a busca incansável pelas respostas e as perguntas que fazemos nunca param. À medida que a matéria avança, os nossos neurónios começam a fazer ligações sobre certos assuntos surgindo assim dúvidas, às quais o livro não tem esclarecimento.
Esta procura de respostas teve lugar no Instituto Superior Técnico onde gastamos o nosso primeiro dia de férias de uma forma deveras produtiva, à caça de bosões. Porém, precisávamos primeiro de adquirir os conhecimentos necessários e fundamentais para tal tarefa. Para isso, assistimos a duas masterclasses, que para além de educativas, eram igualmente entusiasmantes, cativando-nos assim para o mundo da Física de partículas.
Primeiro foi-nos apresentada a parte teórica da matéria, pois antes de aplicarmos quaisquer conhecimentos necessitamos de conhecer as suas regras e respetivas bases. Assim, foi-nos apresentada a física quântica, o ramo da física que estuda os constituintes elementares da matéria, ao nível mais fundamental. Nomes como protões, quarks, fermiões, neutrinos, muões, leptões, foram-nos explicados de modo recorrente. Falámos ainda das interações fundamentais entre essas mesmas partículas, como a interação gravítica, eletromagnética, fraca e forte e da relatividade de Einstein e como este revolucionou a mecânica quântica. Todavia, o maior obstáculo que tínhamos à nossa frente era aceitar estas teorias sobre coisas que não podemos ver, tocar ou cheirar, teríamos que olhar para além da área do visível.
Numa segunda Masterclass foi-nos apresentada a parte prática, ou seja, a física de partículas experimental. Esta área girava em volta do acelerador de partículas, pertencente ao CERN, o sincrotrão, este deteta partículas de forma direta e indireta, foi então desta forma que se descobriu o tao famoso bosão de Higgs.
Mas o dia ainda não tinha sido dado como terminado. Da parte da tarde estivemos então à caça de bosões, na sala de computadores do Técnico. Em frente de um monitor, com uma aplicação que simulava o acelerador de partículas, conseguíamos chocar uma série de protões de hidrogénio e de acordo com as partículas que decaíssem, como consequência desses mesmo choques, classificaríamos como muões, eletrões, fotões ou leptões. No final da atividade experimental, entramos em contacto com dois cientistas do CERN e outros alunos de Creta e dos Estados Unidos. Apesar dos problemas técnicos envolvidos conseguimos ter a oportunidade de partilhar os resultados da atividade anterior e tirar dúvidas, sobre a matéria ou não, com os cientistas.
Em jeito de conclusão, a visita ao Instituto Superior Técnico foi uma das visitas mais esperadas do ano que alcançou e superou todas as expectativas. Desde o início do dia até ao seu final, foi uma experiência repleta de educação, aprendizagem e para além do lado pedagógico, foi um dia dedicado ao lazer e ao enriquecimento da nossa cultura geral. No entanto, mais dúvidas e questões foram levantadas, tais como: O que acelera o Universo? Onde esta a antimatéria? O que é a matéria escura? Existirão mais dimensões? Mas estas são questões que terão que esperar até estes protótipos de cientistas descobrirem a solução. Fomos acompanhados nesta aventura pela professora de FQA Isaura Sebastião.
10.º B Marta Garret e João Sousa